Bio

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“Corpo e alma conexão ancestral /Dos griôs ao tambor digital/ É INQUÉRITO só que não é policial/ Alvará de soltura espiritual (…) Das bala na agulha pros disco na agulha/ Technics tribal, oração que orgulha (…) O sangue o suor a saliva e as palmas/ A mente e o espírito, o corpo e a alma” (Renan Inquérito)

São 16 anos de Ritmo, Amor e Poesia (Rap), fazendo música de “Corpo e Alma” e é justamente essa expressão que dá nome ao quarto álbum do Inquérito. Fundado na região metropolitana de Campinas (SP), o Inquérito tem uma trajetória peculiar e sempre com a veia da poesia latente nas letras e músicas do grupo. Com o atual espetáculo proporciona muita poesia, ritmo e consciência.

Atualmente é composto pelo líder e fundador Renan Inquérito e o backing vocal Pop Black, o show traz também Dj Duh nos toca discos, em uma mescla de ritmos e sons atuais e envolventes. Com conteúdo crítico e muita musicalidade, o Inquérito diferencia-se no cenário nacional do hip-hop pela postura, pelas campanhas encabeçadas, pelos vídeos e pelos prêmios já recebidos.

“Corpo e Alma” 

O álbum “Corpo e Alma” (2014) foi eleito pela crítica especializada um dos melhores do ano em que foi lançado e foi citado em publicações como Rolling Stone, UOL, Melhores da Música Brasileira, entre outras. O disco traz participações de Ellen Oléria (vencedora do The Voice Brasil), Arnaldo Antunes, Natiruts, Roberta Estrela D´Alva, Quinteto Brassuka, DJ KL Jay (Racionais MCs), Rael e Emicida, que além de cantar na faixa-título assina a produção executiva.

O trabalho mescla o rap com a MPB, o reggae e o soul nos shows e teve a produção feita por Dj Duh, com beats assinados por Pop Black, Quilombo Louco Beats, Damien Seth e de Marcelo Guerche, que foi o produtor do disco Mudança em 2010.  É neste disco que o Inquérito mostra o momento maduro que vive, com composições inspiradas na poesia do cotidiano, que somadas aos acordes e arranjos, transformam-se no som das ruas.

Nos palcos, o Inquérito mescla a formação tradicional do hip-hop: MCs + Dj, com contrabaixo, sintetizadores e MPC, levando ao pública uma experiência musical única.

Compromisso
O Inquérito é conhecido por utilizar a música como ferramenta de transformação e interferência social. Além de MC e compositor, Renan Inquérito é professor (mestre em geografia pela Unicamp e doutorando em geografia pela Unesp), e enxerga a arte como mais um caminho para a educação. Em 2015, percorreu mais de 40 escolas com a Parada Poética, shows e debates, além de visitar, com frequência, unidades da Fundação CASA.

Universidades, escolas, presídios e bibliotecas são territórios comuns quando se pensa em Inquérito. O rap invade salas de aula, ocupações de resistência, movimentos estudantis, festivais feitos em faculdades, eventos de chamamento para o vestibular, entre outros. Em 2015, o trecho de uma poesia do livro #PoucasPalavras (lançado pelo rapper em 2011) caiu no vestibular de um curso técnico da Unicamp, provando que a afinidade com a poesia e a literatura colocam o Inquérito em destaque no cenário do hip-hop brasileiro, justamente por dialogar e promover mudanças na vida da juventude.

Consciente do impacto que o rap tem se trabalhado de diferentes formas, Renan Inquérito é também o roteirista do espetáculo “Ópera Rap Global”, que mescla a música popular com a erudita e, nos palcos, funde o hip-hop com uma ópera. Baseado na obra “Rap Global”, do professor e sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, que também assina o roteiro da peça, o show  pelo ineditismo, ao provocar a aproximação de mundos distanciados.

O que representa a obra é o personagem Queni N.S.L. Oeste que por si, representa “um grito contra todos os outros gritos que até agora deram em nada”. “Ele representa os palestinos na faixa de gaza, os camponeses expulsos do campo, os imigrantes ilegais em busca de uma vida melhor em algum país do primeiro mundo. O Queni representa negros, mulheres e todos aqueles que de alguma forma são oprimidos pelo sistema vigente”.

A música “Um Brinde” (2010), teve o videoclipe espontaneamente usado em campanhas de combate ao alcoolismo em 2011. O material audiovisual percorreu mais 200 pontos do Brasil e cinco do exterior (Inglaterra, Cuba, Guiné Bissau, Portugal e EUA) em uma única semana. A repercussão gerou um convite para o Inquérito participar da CPI do Alcoolismo, na Câmara dos Deputados em Brasília (DF).

Prêmios
– Disco “Corpo e Alma” entre os melhores de 2014 pela Rolling Stone, UOL, Melhores Discos, Audiograma, Na Mira do Groove, Rap Nacional Download.
– 8º Festival Internacional do Audiovisual de Atibaia (2014) – melhor fotografia para o clipe ‘Meu Super Herói’.
– Prêmio Cultura Hip‐Hop DINA DI (2012) – Livro #PoucasPalavras
– Prêmio no Festival Nacional de Cinema CurtAmazônia (2011) – videoclipe “Um Brinde”
– Top 10 2010 – Disco Mudança na lista dos 10 melhores discos de Rap de 2010 pelo portal Noiz, Rapevolusson e Rap Nacional.
– Top 10 2010 – Disco Mudança na lista dos 10 melhores discos de Rap de 2010 pelo site www.noiz.com.br
‐ Prêmio Hutúz (2009) – grupo de rap revelação da década
– Prêmio Cooperifa (2008) – Grupo Inquérito
– Prêmio Hip-Hop TOP SP (2006) – Revelação do ano / melhor música do ano para ‘Dia dos Pais’
– Prêmio Hutúz – o mais importante do hip-hop brasileiro (2006) – melhor música do ano para ‘Dia dos Pais’

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s.m. Ação ou efeito de inquirir, de fazer perguntas, de interrogar e investigar

Renan Inquérito nasceu em 20 de abril de 1984, na favela do Flamengo, na zona Norte de São Paulo (SP), onde teve o primeiro contato com o hip-hop e a poesia. Aos 6 anos, usou a facilidade com as letras para se desculpar de uma travessura na escola. Surgiu aí a primeira poesia, de quem não pararia mais de escrever e enxergar no cotidiano o combustível para a arte. Aos 14 anos, Renan Inquérito mudou-se para Londrina (PR), onde se tornou Dj de uma rádio comunitário e de um grupo de rap. Mudou-se para a região metropolitana de Campinas (SP) e por querer escrever as próprias letras, em 1999, criou o Inquérito.

“Mais Loco Que U Barato”
Renan foi sorveteiro, mecânico, professor e criou um jornal sobre hip-hop e literatura marginal/periférica chamado “Ideia Quente”. Em 2000, participou da primeira gravação de um rap, ao lado de Realidade Cruel e G.O.G., com a música “O rap treme o chão”.  A personalidade inquieta e sempre em busca de verdades combinou com o nome dado ao grupo, que alguns anos e formações depois, tornou-se sucesso na rádio 105 FM, com a canção “Dia dos Pais”, do álbum “Mais Loco que U Barato” (2005) que rendeu ao Inquérito o prêmio de revelação do ano no Hip-Hop Top SP e melhor música do ano no Prêmio Hutúz, ambos em 2006.  O disco foi produzido por Fábio Macari (em memória) e teve participações de Realidade Cruel e Sistema Negro, ambos bastante expoentes na região durante o período.

Em 2007, fez a primeira estreia literária, com dois textos na antologia Suburbano Convicto – Pelas Periferias do Brasil, ao lado de autores como  o próprio Alessandro Buzo, G.O.G., Michel Yakini, Jéssica Balbino, Nelson Maca, entre outros.

“Um Segundo É Pouco”
Tais conquistas abriram espaço para o álbum seguinte Um Segundo É Pouco (2008), que firmou o Inquérito na trajetória, com letras de contudo provocativo e pela musicalidade apresentada nos palcos, fugindo do estereótipo do rap. No mesmo ano o grupo ganhou o Prêmio Cooperifa, que contempla os artistas periféricos de São Paulo. Em 2009, recebeu quatro indicações ao Prêmio Hutúz e levou recebeu o título de Grupo Revelação do Século no Prêmio Hutúz, vencendo o músico Criolo. Com este álbum, fez a primeira turnê pelo Nordeste e pelo Sul do Brasil, promovendo a formação de público em diferentes locais e espaços.

“Cada Canto um Rap, Cada Rap Um Canto”
O Inquérito foi ainda destaque de uma reportagem sobre o rap e a universidade, na revista Carta Capital, assinada pelo jornalista Pedro Alexandre Sanches. Renan Inquérito “deixou de ser o mecânico da oficina cinzenta e passou a usar as palavras como ferramenta”. Ingressou na Universidade Estadual de Campinas, no curso de geografia, onde formou-se na graduação e fez o mestrado, intitulado como Cada Canto um Rap, cada Rap um Canto”, por abordar as regionalidades do rap pelo Brasil. Desde 2011, em viagens pelo país, realiza entrevistas e capta material para um documentário de mesmo nome, em parceria com o diretor Vras77. Em 2013, emprestou o nome  a um show realizado no Sesc Campo Limpo (em São Paulo), reunindo rappers de diferentes localidades, sob a curadoria do músico Emicida.

“Aos 22 anos e trabalhando como mecânico (já com 2 discos gravados) eu resolvi fazer algo para sair da fábrica que eu trabalhava. Fiz a faculdade por entender que dentro da sala de aula eu poderia fazer o que o rap tanto falava, mas não conseguia fazer nos palcos. Ser educador somou-se a ser MC, pois todo professor é um mestre de cerimônia. Quando estou à frente da lousa eu sou um MC dando aula e no palco também sou um pouco professor, não tem fronteiras”.

“Mudança”
O terceiro disco, “Mudança” (2010) marcou o amadurecimento do grupo. Com novos integrantes e novas propostas, trouxe participações de Emicida, RAPadura, Dexter, Ca.ge.be., DBS e Realidade Cruel. Deste álbum saíram os videoclipes “Mister M”, “Um Brinde”, #PoucasPalavras e “Meu Super Herói, que totalizam milhões visualizações na internet. A variedade musical do CD passa por vertentes como dirty sound, underground e gangsta, com facilidade de agradar boa parte do público.

Foi neste período que realizou turnê por diferentes estados brasileiros, além de participar de programas de TV na MTV, TVT, TV Mix, Globo, entre outras. Os videoclipes “Mister M” e “Um Brinde” foram finalistas do concurso ‘Caixa de Clipes‘ da Tal TV, com exibição em diferentes países da América Latina. Já o “Meu Super Herói“, com direção de Levi Vatavuk teve a trilha sonora premiada no Festival de Curtas de Atibaia. Estudantes de uma escola pública da Bahia também tiveram um curta-metragem premiado com a trilha sonora “Um Brinde” utilizada. Renan Inquérito participou também da gravação ao vivo do DVD do grupo Atitude Feminina, do Distrito Federal e posteriormente também fez parte do videoclipe da música “Mulher Guerreira”.

#PoucasPalavras
Conquistou espaço junto à poesia, com o livro #PoucasPalavras – projeto que também inclui o videoclipe que homenageia os escritores brasileiros contemporâneos. Passou a dar oficinas de literatura em unidades da Fundação CASA, a participar de festivais literários por todo o país e a percorrer escolas, universidades e bibliotecas com a própria arte.  Além disso, na mesma época, percorreu diferentes espaços com o clipe “Um Brinde”, que foi inserido espontaneamente em campanhas de combate ao alcoolismo e chegou a participar da CPI do Alcoolismo, na Câmara dos Deputados em Brasília (DF).

Em 2012 venceu o Prêmio Hip-Hop – Edição Dina Di, na categoria conhecimento, por causa do trabalho com literatura na região de Campinas. Em 2013, sentindo a necessidade de expandir a própria arte, criou a Parada Poética na região metropolitana de Campinas (SP). O evento começou em um bar e em pouco tempo ganhou público, com cerca de 300 pessoas por edição e passou a acontecer também em escolas, Fundações CASA, festivais literários e passou a sr fixa na Estação Ferroviária de Nova Odessa (SP), cidade em que vive Renan Inquérito.

Ainda neste ano, o Inquérito assinou a trilha sonora do filme Triunfo“, que homenageia o precursor da cultura hip-hop no Brasil, Nelson Triunfo e conta como foi a ‘chegada’ do movimento no país, nas ruas do Centro de São Paulo. Além de ter participado com a canção “Hip-Hop Não Para” (Mudança, 2010), Renan Inquérito compôs outras faixas, em parceria com Dj Duh e Pop Black. Entre elas, destaque para a “Ao Mestre com Carinho“.

Corpo e Alma
O ano de 2014 ficou marcado pelo lançamento do disco “Corpo e Alma”, seguido por vídeos feitos em estúdio, com a participação de Emicida, que também assina a produção executiva da obra, Arnaldo Antunes e Rael. Também participaram do álbum Quinteto Brasuka, Roberta Estrela D´Alva, Ellen Oléria, Natiruts e Dj KL Jay (Racionais). O álbum figurou entre os melhores do ano segundo listas da mídia especializada, como Rolling Stones, UOL, entre outros.

Em 2015 iniciou um projeto que pretende percorrer diferentes países da América Latina, conhecendo músicos de cada local e produzindo canções com eles. O primeiro lugar visitado foi Cuba, onde foi gravado o clipe “Uma Só Voz”, com os músicos do La Invaxión. O segundo país também visitado em 2015 foi a Argentina, onde o Inquérito participou de um festival musical e também gravou uma canção com a participação de Malena D´Alessio, do Actitud Maria Marta.