pinos

#PinosPoéticos

Para estimular o ‘vício’ na leitura, Renan Inquérito criou os #PinosPoéticos, que são pequenas cápsulas comumente usadas na bioquímica e também por traficantes para embalar drogas como a cocaína. Com trechos de poemas autorais dentro, ele chama a atenção para a própria arte e literatura. Os invólucros são distribuídos gratuitamente por onde o rapper passa e resignificam objetos e sentidos.

A ideia de embalar as poesias e transformá-las em ‘pó..esias’ veio do escritor Rodrigo Ciríaco, que criou a expressão “Vendo Póesia”. “Estava na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) com o Ciríaco. Ele vendia os livros dele dizendo: Vendo pó, vendo pó. Vendo ‘pó e sia’ [poesia]. Comecei a usar a mesma expressão e vendemos vários livros. Dias depois, fui a uma boate e encontrei várias cápsulas eppendorf no chão do banheiro, provavelmente de pessoas que consumiram cocaína naquele lugar. Tive então a ideia de pegar esses pinos, enrolar trechos de poesia e chamar de pino poético”.

A partir daí, Renan Inquérito pensou em ‘encapsular os próprios versos e espalhá-los em diferentes espaços. A “associação” com drogas – usada metaforicamente – funciona inclusive com as crianças.  E os #PinosPoéticos tornara-se também uma amostra grátis do trabalho do poeta, além de serem objetos poéticos, que podem ser colecionados, trocados e servem como presente. Desta forma, por onde passa, Inquérito deixa plantado o “vício” do #PinoPoético. Para o rapper, a educação popular é a melhor forma de incentivar o público a ter mais contato com a literatura.

“O caminho é esse, introduzir as coisas de forma lúdica e mostrar a relação daquilo com o dia a dia. A educação popular tem várias ferramentas. É preciso disposição e vontade, com incentivo real. Assim poderemos ter um país com melhores condições de educação”